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Três anos após a tragédia climática de São Sebastião, o Instituto Conservação Costeira (ICC) voltou ao Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo (CONSEMA) para apresentar os resultados da reconstrução do território. Em 2023, poucos dias após o desastre, o Instituto esteve no Conselho para alertar sobre os impactos ambientais e sociais da tragédia e defender a necessidade de uma restauração socioambiental integrada. Agora, retornou ao mesmo espaço para mostrar os avanços alcançados.

As áreas impactadas pelo desastre já apresentam cerca de 81% de cobertura de vegetação nativa, segundo o último monitoramento do ICC. Esse resultado é fruto de um modelo inovador de restauração socioambiental que integra ciência, tecnologia, inovação e participação comunitária, desenvolvido pelo ICC por meio do Projeto Restaura, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), Atlântica Consultoria Ambiental, Ambipar Brasil, Concessionária Tamoios e outras instituições públicas, privadas e da sociedade civil.

Durante a apresentação, a diretora executiva do ICC, Fernanda Carbonelli, reforçou que a reconstrução não termina com a recuperação da floresta. “Hoje não podemos retirar as mais de 80 mil pessoas que vivem em áreas de risco em São Sebastião, mas sabemos que a informação salva vidas. Nossos estudantes aprendem a interpretar os alertas da Defesa Civil, sabem quando deixar suas casas e para onde ir em uma emergência. Esse conhecimento salva vidas.”

Fernanda também defendeu que o Projeto Escolas Seguras seja incorporado às políticas públicas do Estado. “Esse projeto precisava estar em todas as escolas públicas localizadas em áreas de risco do Estado de São Paulo. Ele tinha que ser uma política pública institucionalizada.”

A apresentação foi elogiada pelos conselheiros. Um dos membros do CONSEMA afirmou que a iniciativa do ICC “não é apenas um projeto de restauração, mas um sistema integrado de restauração e resiliência ambiental“, destacando a capacidade de articular restauração ecológica, educação, inovação e mobilização social em um único modelo.

Representando a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, a secretária destacou que o projeto “é motivo de orgulho para o Estado de São Paulo, pela referência e exemplo que oferece” para outras iniciativas de adaptação climática.

Os conselheiros também destacaram que, sem essa iniciativa, a recuperação das áreas afetadas teria sido muito mais lenta e vulnerável à ocupação desordenada, além de elogiar a capacidade de articulação do ICC com comunidades, universidades, órgãos públicos e instituições parceiras.

Ao apresentar os resultados, o ICC reforçou que a continuidade do pilar social é essencial para consolidar a reconstrução do território. Além da restauração ecológica, o projeto integra educação climática, mobilização comunitária, monitoramento ambiental e apoio à regularização fundiária, demonstrando que a recuperação de territórios vulneráveis depende da integração entre ciência, conservação e participação social.

O retorno ao CONSEMA simboliza mais do que a apresentação de indicadores ambientais. Representa a evolução de um território que transformou uma das maiores tragédias climáticas do país em um laboratório vivo de soluções para a adaptação às mudanças climáticas, mostrando que a reconstrução só é possível quando conservação ambiental, ciência, educação e participação comunitária caminham juntas.

Assista a gravação da reunião:

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