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O Projeto Restaura Litoral Norte alcançou um importante marco na recuperação das áreas atingidas pelos deslizamentos provocados pelas chuvas extremas de fevereiro de 2023 em São Sebastião. Os resultados da 7ª campanha de monitoramento mostram que 79,6% da área restaurada já apresenta cobertura de vegetação nativa, evidenciando o avanço da regeneração da Mata Atlântica nas encostas impactadas.

A avaliação técnica foi realizada em 203,39 hectares monitorados, abrangendo áreas que sofreram mais de 90 deslizamentos durante a tragédia climática. Ao todo, 1.223 kg de sementes foram lançados por drones, utilizando uma estratégia inovadora de dispersão aérea desenvolvida para acelerar a recuperação de áreas de difícil acesso.

Os resultados mostram que 100% das metas estabelecidas para o primeiro ano de monitoramento foram atingidas em todos os setores avaliados, independentemente do grau de inclinação do terreno.

Logo após os deslizamentos, muitas áreas apresentavam apenas solo exposto, ausência de cobertura vegetal e alto risco de erosão. Em diversos pontos, a topografia acidentada e a instabilidade das encostas tornavam inviáveis os métodos convencionais de restauração florestal.

Diante desse cenário, o projeto adotou a dispersão aérea de sementes por drones, permitindo alcançar áreas remotas e inseguras sem expor equipes de campo a riscos adicionais.

A estratégia combinou espécies arbóreas nativas de rápido crescimento com leguminosas utilizadas para adubação verde, criando condições favoráveis para a sucessão ecológica e a recuperação natural da floresta.

O monitoramento utilizou imagens de alta resolução e análises de NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada), metodologia amplamente utilizada para avaliar a presença e o vigor da vegetação.

Os dados revelam uma evolução consistente da cobertura vegetal ao longo das sete campanhas realizadas. O crescimento mais acelerado ocorreu entre as campanhas intermediárias, quando a regeneração avançou rapidamente sobre áreas anteriormente degradadas.

Segundo a equipe técnica, a estabilização observada nos índices mais recentes não representa uma interrupção do processo de recuperação. Pelo contrário: indica uma nova fase da regeneração, marcada pelo desenvolvimento vertical da vegetação e pela formação do sub-bosque sob as copas já estabelecidas.

As análises apontaram ganhos expressivos em diferentes áreas monitoradas entre Boiçucanga, Baleia, Juquehy, Toque-Toque e Juqueí/Jureia, com todos os setores superando as metas inicialmente estabelecidas.

Mais do que restaurar áreas degradadas, o Projeto Restaura busca fortalecer a resiliência do território diante das mudanças climáticas.

A recuperação da vegetação contribui para estabilizar o solo, reduzir processos erosivos, aumentar a infiltração da água da chuva e proteger os recursos hídricos da região. Além disso, a restauração favorece o retorno da biodiversidade e acelera a reconstrução dos serviços ecossistêmicos fornecidos pela Mata Atlântica.

O ICC entende que reconstruir territórios vai muito além da recuperação da paisagem. Envolve também fortalecer vínculos sociais, ampliar capacidades locais e preparar comunidades para enfrentar os impactos crescentes da crise climática. Por isso, a restauração desenvolvida pelo projeto se sustenta em um pilar social, que integra pessoas, conhecimento e território como parte essencial da regeneração da Mata Atlântica.

Nesse contexto, destaca-se o Projeto Escolas Seguras, que atua em escolas localizadas em áreas de risco, promovendo educação climática, capacitação de professores e atividades com estudantes. A iniciativa contribui para fortalecer a cultura de prevenção, adaptação e cuidado com o território entre crianças, jovens e comunidades do Litoral Norte.

Em menos de três anos, áreas que antes representavam cicatrizes abertas na paisagem começam a dar lugar a um novo mosaico de vegetação nativa em consolidação — um importante passo para a reconstrução socioambiental de São Sebastião.

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