Projeto desenvolvido pelo ICC reúne escola, comunidade tradicional, Parque Estadual da Serra do Mar e especialistas para transformar estudantes em pesquisadores da biodiversidade local.
Conhecer a natureza é o primeiro passo para conservá-la. Com esse propósito, o Instituto Conservação Costeira (ICC), em parceria com a Escola Municipal Henrique Tavares, desenvolveu o projeto Guias de Biodiversidade da APA Baleia Sahy, uma iniciativa de educação ambiental que transformou estudantes do 5º ano em pesquisadores, ilustradores e autores de materiais educativos sobre a fauna da Mata Atlântica.
Ao longo do projeto, 89 estudantes participaram de uma jornada que integrou conhecimento científico, saberes tradicionais e vivências em campo. A iniciativa também contou com a parceria do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), da PROSAN, do projeto Aqui Tem Aves, conduzido pelo observador de aves Max Marques, além de educadores ambientais e membros da comunidade tradicional caiçara.
A proposta foi aproximar os estudantes da biodiversidade existente no território onde vivem e mostrar que a conservação começa pelo conhecimento.
Educação ambiental conectada ao território



O projeto foi desenvolvido em quatro etapas, combinando teoria, pesquisa, trabalho de campo e produção coletiva.
Inicialmente, os estudantes conheceram o funcionamento dos guias de espécies e compreenderam sua importância para a pesquisa, a educação ambiental e a conservação da biodiversidade.
Na sequência, realizaram entrevistas com moradores da comunidade tradicional caiçara, registrando histórias, conhecimentos e percepções sobre a fauna local. O diálogo entre diferentes gerações permitiu integrar o conhecimento científico aos saberes construídos ao longo da relação histórica da comunidade com a Mata Atlântica.
A etapa seguinte foi dedicada às pesquisas sobre diferentes grupos da fauna da APA Baleia Sahy. Cada turma aprofundou seus estudos em um tema específico — aves, peixes, mamíferos ou serpentes — investigando características das espécies, alimentação, habitat, estado de conservação, principais ameaças e curiosidades.
Vivências que aproximam ciência e natureza


Além das atividades em sala de aula, o projeto levou os estudantes para experiências práticas em campo, tornando o aprendizado ainda mais significativo.
Como parte das atividades de campo, os estudantes visitaram o Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) para aprofundar o conhecimento sobre a Mata Atlântica, participaram de práticas de observação de aves na Área de Proteção Ambiental Baleia Sahy (APA Baleia Sahy) e realizaram vivências no Rio Sahy, conhecendo o ecossistema aquático e as práticas tradicionais da pesca artesanal, aproximando o aprendizado da realidade do território.
Essas experiências permitiram que os conteúdos estudados fossem observados na prática, fortalecendo a compreensão sobre a importância da conservação dos ecossistemas costeiros.
Quatro guias produzidos pelos próprios estudantes
Todo o conhecimento construído durante o projeto será reunido em quatro guias pedagógicos produzidos pelos próprios alunos.
Cada publicação reúne textos, fichas técnicas, ilustrações autorais e informações sobre as espécies estudadas, abordando aspectos como nome popular e científico, características físicas, alimentação, habitat, estado de conservação, principais ameaças e curiosidades.
Mais do que materiais educativos, os guias representam um registro do olhar das próprias crianças sobre a biodiversidade do território onde vivem.
Formação de novos guardiões da biodiversidade
O projeto também fortaleceu o vínculo entre escola, comunidade tradicional e instituições parceiras, demonstrando como a educação ambiental pode integrar ciência, cultura e participação social.
Ao assumirem o papel de pesquisadores e autores, os estudantes deixaram de ser apenas receptores de conhecimento para se tornarem protagonistas na produção de conteúdos sobre a biodiversidade da APA Baleia Sahy.
Para o ICC, iniciativas como essa contribuem para formar uma nova geração de cidadãos conscientes sobre a importância da Mata Atlântica, dos manguezais, dos rios e da fauna local.
Mais do que produzir guias, o projeto despertou a curiosidade científica, valorizou o conhecimento caiçara e fortaleceu o sentimento de pertencimento ao território.
Porque conservar começa pelo conhecimento. E quando uma criança conhece a biodiversidade do lugar onde vive, ela também aprende a cuidar dela.

