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A cidade de Caraguatatuba sediou mais uma etapa da Mesa de Diálogo do Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro (GERCO), iniciativa que integra a construção do Plano de Ação e Gestão do Litoral Norte de São Paulo. O encontro reuniu representantes do poder público, sociedade civil, instituições técnicas e comunidades tradicionais para debater o papel das economias criativas no desenvolvimento sustentável do território costeiro, com foco na integração entre cultura, inovação e conservação ambiental.

A proposta do GERCO é fortalecer o diálogo entre diferentes setores para identificar iniciativas existentes, mapear oportunidades e construir estratégias que aliem desenvolvimento econômico e proteção dos ecossistemas da zona costeira paulista.

Durante o encontro, o Instituto Conservação Costeira (ICC), participante do GERCO e responsável pela gestão da APA Baleia Sahy, colaborou na organização da atividade e contribuiu com a apresentação de experiências desenvolvidas no território.

APA Baleia Sahy como território de economias criativas

Entre os destaques da mesa, estiveram duas iniciativas estruturantes da APA Baleia Sahy que mostram como a economia criativa se conecta diretamente à conservação ambiental e à geração de renda local.

Artesanato caiçara: cultura, identidade e floresta em pé

O artesanato tradicional caiçara foi apresentado como uma expressão cultural diretamente ligada à Mata Atlântica e ao modo de vida das comunidades tradicionais do Litoral Norte. A atividade utiliza matérias-primas naturais como caixeta, taboa, bambu e fibras vegetais, transformadas em peças que carregam a história e a identidade do território.

A produção artesanal é liderada por mestres como Lindomar dos Santos, o Mestre Nicinho, referência na preservação da cultura caiçara e na formação de novos artesãos. Seu trabalho conecta produção, educação e transmissão de saberes tradicionais, fortalecendo uma cadeia cultural que atravessa gerações.

Além de seu valor simbólico, o artesanato tem papel econômico relevante na região. São Sebastião reúne mais de 100 artesãos, enquanto o Litoral Norte ultrapassa 300 profissionais atuando no setor.

Um dos principais desafios apontados pela categoria é o acesso regular e sustentável à matéria-prima, o que torna estratégico o Plano de Manejo da Taboa e Caixeta, desenvolvido na APA Baleia Sahy. A iniciativa busca garantir o uso sustentável dos recursos naturais, ao mesmo tempo em que assegura condições para a continuidade da produção artesanal tradicional.

Turismo de base comunitária: pesca, cultura e território

A segunda iniciativa destacada foi o turismo de base comunitária desenvolvido na APA Baleia Sahy, articulado pela PROSAN (Pró Náutica Sahy), associação criada por pescadores locais.

Com cerca de 44 associados e entre 28 e 30 embarcações, a PROSAN atua na interface entre pesca artesanal e turismo náutico, oferecendo passeios embarcados educativos para escolas, universidades, pesquisadores e visitantes.

Essas atividades fortalecem a economia local, ampliam a geração de renda para famílias caiçaras e promovem a educação ambiental sobre os ecossistemas costeiros, como manguezais, ilhas e áreas de preservação da região.

Durante o debate, também foram destacados desafios enfrentados pela comunidade, como a necessidade de infraestrutura adequada no portinho, o assoreamento do rio, a falta de estrutura para embarque e desembarque e a regularização de áreas tradicionais de uso comunitário.

Economia criativa como estratégia de desenvolvimento sustentável

A Mesa de Diálogo reforçou que as economias criativas no Litoral Norte vão além do aspecto cultural ou econômico: elas representam um caminho estratégico para integrar conservação ambiental, identidade cultural e desenvolvimento sustentável.

Ao final do encontro, o GERCO destacou a importância de fortalecer políticas públicas integradas e ampliar o reconhecimento das iniciativas comunitárias como parte fundamental da gestão costeira.

O evento integra o processo contínuo de construção do Plano de Ação e Gestão do Litoral Norte e reforça o papel da região como referência em modelos de desenvolvimento que conectam natureza, cultura e economia.

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